Eu poder-lhes-ia começar comentando que a homossexualidade foi encontrada em mais de 450 espécies, conquanto a homofobia só em uma. Mas, o que mais vem me intrigando, não é o preconceito que pessoas denominadas ”gays” sofrem na rua, não que isso não seja um assunto importante a ser tratado, mas o preconceito que inicia-se em casa. Pais que se dizem não preconceituosos, mas que logo em seguida dizem “Não quero que meu filho seja “assim”“. Pais que não aceitam de forma alguma, que dizem ser errado. Mas então, o que é o certo? Esconder quem você realmente é porque os familiares sentem vergonha e tratam isso como um defeito seu, uma fase, algo que seu amigo vem colocando na sua cabeça, mas que logo passará? Porque é nisso que os pais, em sua maioria, acreditam que um amigo coloca idéias na sua cabeça. Então quer dizer que você não tem capacidade de escolha. Que é um amigo quem coloca idéias na sua cabeça para que você seja ‘assim’?
Pais que dizem que ”isso” vai contra os conceitos. Que conceitos?
Acontece que a população vem se tornando alienada demais, pessoas passam nas ruas, aceitam panfletos de estranhos do tipo ”como tratar e curar a homossexualidade dos filhos” mas não aceitam ouvir o que o filho tem a dizer, o que o filho sente e realmente quer para a sua própria vida. Enquanto as pessoas continuarem deixando a TV, a religião, o vizinho ditar o que é certo e errado na vida alheia, a questão do preconceito tende apenas a aumentar.
O que mais cresce além do preconceito, são filhos que se sentem repreendidos para falarem sobre o assunto com os pais. Um assunto que não deveria ser taxado como algo grave, ”ovelha negra”, doença, errado, desviado, coisas do tipo meu-filho-destruio-a-base-familiar.
Mas os pais não deveriam querer apenas a felicidade dos filhos? Pois, não é isso que eu tenho visto. Eu vejo pais egoístas que acham que o filho só será feliz da forma que a sociedade impõe, que é cada um com um conjugue do sexo oposto, casados, com uma carreira encaminhada e com filhos. Isso, coisa que também pode e existe numa vida de casais homossexuais, só não tanto, porque a sociedade ”proíbe” o que meio que obriga as pessoas esconderem seu verdadeiro Eu e permanecerem no ”armário”, como se nada acontecesse e a carregarem uma vida vazia, repleta apenas de mentiras, desgosto e infelicidade.
A sociedade foi e ainda é afetada pela imagem, a ilusão da família perfeita. Seguindo regras e dogmas, fazendo com que cada um de nós, à medida que crescemos, esqueça o que realmente o ser humano é e, do que ele realmente precisa. Governantes preferem se omitir quando se trata de agregar medidas para combater a homofobia por que sabem que esse tipo de preconceito foi gerado no leito da ignorância e, sabendo que a maior parte da população se encontra vivendo nesse leito, como político, a omissão se torna um caminho mais fácil de seguir.
(Letícia, Camila.)